terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quantos surdos existem no Brasil? Quantos usam libras? Quantos usam português?Quantos podem ouvir com próteses?

Tenho visto no campo da surdez e deficiência auditiva muitas discussões de leigos e especialistas em que se enfatizam soluções que podem beneficiar a alguns grupos como se fossem soluções universais para todos os surdos.



Um exemplo: quem nasceu surdo e se escolarizou usando libras tem necessidades diferentes de quem ficou surdo depois de oralizado e alfabetizado e usa implantes ou aparelhos auditivos e se comunica usando a língua portuguesa (leitura e escrita, leitura oro-facial).


E em textos de leis vemos o surdo ser tratado como um tipo único e padronizado de cidadão que necessita intérprete de libras quando não é assim. Ou no sentido contrário se coloca um aluno que usa libras numa classe de ouvintes, sem nenhuma preparação para isso tanto do aluno como do professor. Ouvimos relatos de pais e professores nesse sentido.


Temos insistido na diversidade da surdez, na variedade de soluções para integração e exercício da cidadania da pessoa deficiente auditiva.
Temos poucos dados estatísticos que nos indiquem quem usa exclusivamente libras, quem usa libras e português e quem usa a língua portuguesa com fluência, como a maioria dos surdos oralizados e os póslinguais.


Mas vemos estatísticas sendo exibidas para dar força a argumentos ideológicos e políticos para justificar determinadas reivindicações dos deficientes auditivos e surdos e ações do poder público.


População do alguma deficiência - Dados do censo IBGE 2000


Fonte:


http://www.bengalalegal.com/censos

Deficiência Auditiva:


- Incapaz de ouvir: 176.067


- Grande dificuldade permanente de ouvir: 860.889


- Alguma dificuldade permanente de ouvir: 4.713.854






TOTAL: 5.750.810


BRASIL - PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM 2010

Deficiência Auditiva – 9.722.163
Não consegue de modo algum – 347.481
Grande dificuldade – 1.799.885
Alguma dificuldade – 7.574.797


Fonte: Censo Demográfico 2010 – Resultados Preliminares da Amostra
Referência:


Quantas dessa pessoas nunca tiveram atendimento? Por descaso, pobreza, ignorância ou falta de intervenções públicas na área de saúde auditiva.


Agora diz o bom senso que o atendimento, tratamento, reabilitação, escolarização e outras medidas necessárias variam segundo o grau de surdez.


É necessário ensinar a língua brasileira de sinais (Libras) a toda a população brasileira como querem alguns?


É caso de fornecer prótese e implantes além de tratamento fonoaudiológico aos demais que podem se beneficiar com esses recursos?


Sem esquecer é claro que próteses e implantes requerem manutenção e treinamento para usá-los e que possuem equipamentos complementares de sonorização ambiente a serem instalados em ambientes públicos como escolas, bibliotecas, cinemas, teatros, igrejas...equipamentos já usados na Argentina e Chile e mais difundidos nos EUA, Austrália e Comunidade Européia.


E aqui no Brasil não ouvi falar de um ambiente sequer dotado desses recursos. E quando me dirigi às autoridades perguntando a respeito nunca obtive resposta.


Não sou contra o ensino e uso de libras, e não tenho conhecimento teórico ou prático para falar do assunto, o ensino de surdos tem uma tradição que não deve ser ignorada ou desprezada.


Minha única crítica é que muitos ao falar de surdos usam a expressão para falar dos surdos usuários de libras e outras línguas de sinais como se estes representassem a totalidade dos surdos, deixando de lado a nossa diversidade.


Peço a que todos os profissionais envolvidos na área de saúde e educação, aos legisladores e seus assessores técnicos e científicos que tentem trabalhar com o espectro mais amplo de informações possível. Sem repetir chavões teóricos ou ideológicos, não peço que renunciem a suas crenças pessoais mas que os critérios devem ser sempre amplamente discutidos.


Dizem que Nelson Rodrigues dizia: Toda unanimidade é burra.


Quando em saúde pública e educação certos clichês são encarados como postulados intocáveis e verdades eternas a frase soa como um alerta!



E sabem os cientistas que as "verdades" são provisórias, que o conhecimento é cumulativo e que portanto ninguém é dono da verdade.

Por isso a aplicação de "verdades indiscutíveis" pelos que praticam políticas públicas em saúde e educação pode vir a ser prejudicial e comprometer a vida de muitas pessoas.



Assim como questiono a existência de verdades indiscutíveis espero que tomem este texto como uma reflexão pessoal, passível de ideias contraditórias e discutíveis. E que se alguém quiser comentar ou argumentar contra o que foi dito tem o espaço dos comentários para fazê-lo.

Surdos oralizados e surdos que usam língua de sinais na Espanha, veja discussão interessante:
http://bonaventura.foroactivo.net/t372-porcentaje-de-sordos-oralistas-y-signantes

8 comentários:

Bruno Peres disse...

Bom dia senhores, trabalho no Marketing da Cennarium e gostariamos de fazer uma Parceria com vocês. Temos materiais voltados para o Público Surdo e TOTALMENTE gratuídos. Gostaríamos de oferecer nossa tecnologia em prol da inclusão cultural. Gostaria de falar mais a respeito. Abraços Bruno Peres

Anônimo disse...

Abaixo-assinado para súmula do STJ. Abraço, Alfredo - Audição Unilateral

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N9532

soramires disse...

http://sulp-surdosusuariosdalinguaportuguesa.blogspot.com/2011/05/surdos-unilaterias-peticao-publica.html
Temos postagem especial para a petição.Abraços

Anônimo disse...

Concordo planemanente com o seu raciocínio e a minha empresa J.A Representações luta por este ideal, acessibilidade através do sistema de FM em igrejas, museus, eventos, convenções, salas de aula, teatros, entre outros. Acesse e curta já a nossa página no facebook (J.A Representações de sistema de comunicação sem fio)

Anônimo disse...

quero saber qtos surdos aqui brasil que nao saber ler nem escrever nem libras?

soramires disse...

eu trato de assuntos ligados a SURDOS USUÁRIOS DA LÍNGUA PORTUGUESA...portanto surdos alfabetizados. Minhas pesquisas não se referem a todos os surdos, infelizmente sei que pobreza mais surdez levam a que muitos fiquem abandonados e não aprendam nem língua de sinais, NÃO TENDO ACESSO A PRÓTESES, ETC. Isto é um problema social. nÃO CONHEÇO ESSAS ESTATÍSTICAS.

Claudio Carvalho disse...

Sou professor do Instituto Nacional de Educação de Surdos, do Departamento de Ensino Superior, aqui no RJ. Gostaria muito de conversar e ampliar nosso contato. Acabo de concluir trabalho de pós-doutorado sobre um tema relativo à surdez e discuto (desde sempre, mas, especialmente, depois que publiquei um livro chamado Outras Palavras, o tema do essencialismo que cria um "modelo" único e ideal de "surdo".

soramires disse...

Meu assunto, como fica claro no mome do blog é o SURDO USUÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA, QUE OUVE COM PRÓTESES... há diversidade dentro das várias deficiências...

Postar um comentário

DEIXE AQUI O SEU COMENTÁRIO