sábado, 14 de fevereiro de 2009

Projeto de Pesquisa para aparelho auditivo montado no Brasil

http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=208241&c=6

Aparelho auditivo criado pela USP tem baixo custo

Cerca de 10 milhões de brasileiros são portadores de perda auditiva incapacitante e podem usar a nova prótese auditiva
Em breve, aparelho auditivo digital projetado e produzido no Brasil poderá ser adquirido a baixo custo. Sua manutenção também custará pouco ao bolso dos brasileiros. Essa é a expectativa dos pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), que desenvolveram o equipamento denominado Manaus.

Pacientes com deficiência auditiva binaural (nas duas orelhas) testaram a nova prótese e a avaliaram como satisfatória. Enquanto o equipamento nacional da FMUSP custa US$ 140,13 (R$ 250,00), o importado (com tecnologia similar) pode chegar a R$ 9 mil no varejo. O brasileiro oferece autonomia de 440 horas com única bateria e quatro programas de adaptação.

"Numa produção seriada, o custo desse aparelho deve chegar a US$ 100,00 (R$ 179,00), informa o engenheiro eletrônico Sílvio Penteado, do Laboratório de Investigações Acústicas (LIA) da FMUSP. A pesquisa de Penteado foi tema de sua tese de doutorado defendida em agosto de 2009 com orientação do professor Ricardo Ferreira Bento, titular do Departamento de Otorrinolaringologia da FMUSP e idealizador do projeto. Bento também é coordenador geral do projeto, que teve ainda a co-orientação do professor Nilton Nunes Toledo, da Escola Politécnica da USP.

Larga escala
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) analisa o produto para em breve conceder a patente brasileira. É submetido às etapas de avaliação regulatória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Assim que for aprovado pela Anvisa, Penteado acredita que o aparelho estará disponível no mercado para produção em larga escala.

O engenheiro informa que a Portaria 587, do Ministério da Saúde, classifica a prótese auditiva como tecnologia A (básica), B (intermediária) e C (avançada), de acordo com o recurso eletroacústico oferecido. Diz que os modelos disponíveis no mercado no varejo custam até R$ 12 mil (tecnologia C). Já para o Sistema Único de Saúde (SUS), os valores são de R$ 525,00 (tecnologia A), R$ 700,00 (B) e R$ 1,1 mil (C).

"O aparelho de tecnologia A é modelo analógico e representa 50% das prescrições do SUS. O tipo B é o intermédiário e tem 35% das prescrições. Já o tipo C é o de tecnologia superior e responde por 15% das prescrições", explica o pesquisador. "O modelo que desenvolvemos atende às especificações das tecnologias A e B. Isso representa 85% da demanda de aparelhos auditivos do SUS", completa.

Decibéis
A perda auditiva acomete 10% da população mundial. No Brasil, cuja população estimada é de 180 milhões de habitantes, a deficiência está presente na vida de cerca de 18 milhões de brasileiros. São pacientes com perda auditiva discreta, moderada, moderada/severa, severa ou profunda. Esta última é considerada surdez, não corrigida com nenhum tipo de aparelho auditivo.

O pesquisador informa que o Manaus atenderá a pacientes com perdas auditivas até moderadas/severas - 56 a 70 decibéis (dB). "O aparelho apresenta ganho auditivo estável de 62 dB", conta. Calcula-se que cerca de 10 milhões de brasileiros são portadores de perda auditiva incapacitante (acima de 41 dB) e podem ser beneficiados com o uso de prótese auditiva.

No Brasil, de cada dez aparelhos auditivos vendidos, seis são adquiridos pelo SUS. Em 2007, o País importou 214 mil próteses auditivas, cada uma em torno de R$ 1.090,00. Em 2005, as importações atingiram 172 mil próteses, ao custo médio unitário de R$ 1.678,00. Penteado explica que o custo de manutenção das próteses auditivas importadas é muito alto para os pacientes do SUS. "Um dos objetivos do projeto é oferecer também manutenção mais barata", destaca.

Florianópolis
Além do Manaus, os pesquisadores desenvolveram outros aparelhos a partir de componentes padronizados: o Florianópolis (tecnologia C), o Rio de Janeiro e o Sabará (tecnologia B). Os componentes do aparelho são o microfone, o processador digital de sinais e o receptor (espécie de alto-falante), que funcionam com programa de computador (software).

O fonoaudiólogo, responsável pela adaptação do aparelho auditivo em pacientes, recebe este software simples e autoexplicativo. "Alguns softwares são tão complexos que exigem treinamento do profissional e computadores cada vez com mais recursos, ou seja, mais caros", diz.

A pesquisadora Isabela de Souza Jardim testou o Manaus e outras próteses importadas em 60 pessoas com deficiência auditiva. O aparelho da FMUSP foi comparado a outros disponíveis no mercado, classificados nas categorias A e B. "Os resultados foram considerados satisfatórios de acordo com protocolos internacionais", destaca Penteado. Este trabalho integra o doutorado de Isabela, defendido na FMUSP, também sob a orientação do coordenador geral do projeto, professor Ricardo Ferreira Bento.

Segundo Penteado, o conceito de equipamento genérico pode ser usado para outros produtos médicos como marca-passo, desfibrilador, bombas de infusão e equipamentos de diagnóstico. "O projeto está inserido na Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde do Ministério da Saúde, que recomenda o desenvolvimento de tecnologias de reabilitação de baixo custo", aponta.
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http://www.arquivosdeorl.org.br/conteudo/acervo_port.asp?id=539

Sílvio Penteado aluno de doutoramento na FMUSP nos apresentou seu projeto orientado pelo Prof.Dr. Ricardo Ferreira Bento:

Introdução: Todo portador de deficiência auditiva é um candidato ao uso de aparelho de amplificação sonora individual (AASI). Indústrias internacionais dominam o mercado mundial a oferecer produtos cujos valores agregados são incompatíveis com a realidade econômico-financeira das populações de países com economias em desenvolvimento. Objetivo: Projetar e desenvolver AASIs digitais e de baixo custo no desenho BTE, construídos sob um circuito eletrônico genérico e com recursos eletroacústicos não inferiores aos AASIs hoje comercializados no mercado brasileiro. Método: Desenvolver um vínculo de relacionamento com os principais fornecedores de partes e peças para a indústria de AASIs e projetar AASIs no desenho BTE. Os testes de desempenho acústico dos AASIs montados foram realizados em laboratório independente com a utilização de equipamentos de investigação acústica. Conclusão: É possível o desenvolvimento de AASIs digitais no desenho BTE com características de desempenho não inferiores aos comercializados por indústrias internacionais, mas a baixo custo operacional.


Esperamos em breve poder usufruir os resultados dessa pesquisa traduzidos em melhor atendimento aos deficientes auditivos.

As pessoas que necessitem aparelhos auditivos devem se informar no site abaixo, onde se podem encontrar as unidades do SUS para saúde auditiva:

http://cnes.datasus.gov.br/Mod_Ind_Especialidades.asp?VEstado=00&VMun=00&VTerc=00&VServico=107&VClassificacao=00&VAmbu=&VAmbuSUS=1&VHosp=&VHospSUS=1

5 comentários:

silvia disse...

TENHO UM FILHO DA MODERADA P SEVERA BILATERAL ELE TEM APENAS 5 ANOS GOSTARIA DE SABER COMO CONSIGUIR O APARELHO MANAUS POIS NÃO TENHO COM COMPRAR O IMPORTADO ,É MUITO CARO VCS FAZ IDÉIA.

Marcos disse...

Minha mãe está com alta porcentagem de perda auditiva, devido tratar-se de aposentados gostaria de receber informações como ter acesso ao novo aparelho.
Grato
Marcos Gomes

soramires disse...

As pessoas que necessitam apaelhos auditivos
devem procurar informação no site do SUS
clicando na informação que está no fim da matéria.

mara disse...

gostaria de saber como posso cadastrar meu pai (87 anos), com perda de audição moderada, em Fortaleza/CE;

mara

soramires disse...

As pessoas que necessitam apaelhos auditivos
devem procurar informação no site do SUS
clicando na informação que está no fim da matéria.

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