sexta-feira, 19 de abril de 2013

Laudo Médico para pessoas com deficiência


Laudo Médico, Laudo Médico para Deficientes, CID para Deficientes

http://www.deficienteonline.com.br/como-incluir-a-deficiencia-fisica-e-o-laudo-no-curriculo___81.html
Indicação da página Tati S-H da Comunidade dos Surdos Oralizados (Facebook)
O MÉDICO DO TRABALHO E A CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS – CID

Para que se cumpram as cotas de contratação de colaboradores com deficiência, a legislação especifica quem pode atestar e de que maneira as deficiências serão comprovadas. Compete ao Ministério do Trabalho e Emprego estabelecer a sistemática de fiscalização, a avaliação e o controle das empresas, assim como instituir os procedimentos e formulários necessários à contratação.

Uma das determinações é a necessidade do laudo médico, que pode ser emitido por médico do trabalho da empresa ou outro médico, que ateste a deficiência de acordo com as definições do Decreto nº 3.298/99 (artigos 3º e 4º) e com as alterações dadas pelo Decreto nº 5.296/2004.

O laudo deverá especificar o tipo de deficiência, com o código correspondente da Classificação Internacional de Doenças (CID), e ter autorização expressa do empregado para tornar pública a sua condição. A CID é publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e fornece códigos relativos à classificação de doenças e de uma grande variedade de sinais, sintomas, aspectos anormais, queixas, circunstâncias sociais e causas externas para ferimentos ou doenças. A cada estado de saúde é atribuída uma categoria única, à qual corresponde um código, que contém até seis caracteres.

A CID é revista periodicamente e no momento está em vigor a sua décima edição, a CID-10. Dependendo da deficiência, a avaliação deverá ser feita por um especialista e os laudos devem ser recentes, emitidos a menos de um ano. Nos casos de pessoas com deficiência auditiva e visual é necessário apresentar os exames de audiometria e oftalmológico, respectivamente. Quanto à deficiência intelectual, é aceito o laudo elaborado por um psicólogo.

A audiometria deve comprovar a perda auditiva superior a 41 decibéis, nas frequências 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz, e 3.000Hz, e em ambos os ouvidos. Ou seja, o médico não deve considerar a média aritmética, mas sim a perda em todas as frequências.

O laudo oftalmológico deve comprovar a acuidade visual, não são as doenças do campo visual que atestam a deficiência, mas sim a somatória da perda visual nos dois olhos. Ainda assim, o médico deve levar em conta a acuidade com o uso da melhor correção: óculos ou lentes de contato. Atestados para obtenção de gratuidade em transporte público, como o Bilhete Único Especial (SPTrans), exames médicos do Detran para obtenção de Carteira Nacional de Habilitação ou perícias médicas judiciais não comprovam a deficiência para as cotas porque usam critérios diferentes.

O laudo médico pode ser emitido por qualquer médico, empregado da empresa ou não, porém em alguns casos é necessária a avaliação de um especialista.

Laudo/Atestado Médico – Pessoas com Deficiência

• Nem todas as deficiências enquadram-se na Lei de Cotas, portanto, os laudos devem estar muito bem explicados para que não haja problemas na admissão tampouco com o Ministério Público do Trabalho e/ou Ministério do Trabalho e Emprego.
• O laudo deve ser o mais atual possível.
• O laudo precisa fornecer, além do código da CID, detalhes sobre as limitações funcionais da pessoa na prática, ou seja, a deficiência e sua sequela. Por exemplo: se consta do laudo encurtamento no membro inferior direito, é importante especificar quantos centímetros, se utiliza prótese ou órtese, muletas, cadeira de rodas, se apresenta “dificuldade para ambular”, “dificuldade para subir escadas”, “impossibilidade de ficar em pé por longos períodos”, “distúrbios da marcha”, etc.

Outros exemplos de preenchimento incompleto e como devem ser detalhados os laudos para melhor caracterização da deficiência:

Amputação do Membro Inferior Esquerdo (MIE) – não fica claro se é no dedo, perna, pé. É necessário descrever a partir de onde houve amputação e, no caso de dedos, quais foram os atingidos. Além disso, descrever a sequela ocasionada: dificuldade em subir escadas, ficar muito tempo em pé, etc.

Amputação no Membro Superior Direito (MSD) – a mesma questão: não fica claro se é apenas um dedo, a mão ou todo o braço. Especificar a altura da amputação, assim como a sequela decorrente: dificuldade para escrever, dificuldade motora, falta de força na mão, não consegue fazer o movimento de pinça ou garra, etc.

Sequela de acidente automobilístico – é necessário descrever os membros atingidos, se foi necessário colocar prótese, detalhar se ficou com dificuldade em algum movimento, por exemplo, se não consegue elevar o braço em mais de 25º.

Deficiência auditiva moderada – quando se trata de deficiência auditiva, sempre encaminhar uma audiometria atualizada. A audiometria deve apontar que a deficiência é bilateral, parcial ou total, e sempre abaixo de 41 decibéis, conforme determina a lei.

Hemiparesia, sequela de AVC – caracteriza a paralisia parcial, mas não diz em qual lado ou membro. É importante também ressaltar o nível de dificuldade motora, as limitações, etc.
Sequela de poliomielite – é necessário oferecer o maior número de detalhes – qual a sequela, membros atingidos e em qual proporção.

Fratura do fêmur – necessita informar a sequela, se possui dificuldades de locomoção, se tem limitação nos movimentos e quais são.

Malformação congênita – completar com mais informações: em qual membro, descrever a deformidade e quais as limitações ou dificuldades geradas.

Encurtamento na perna – informar em quantos centímetros, porque é necessário ser acima de 4,0 cm para enquadrar na cota. Dizer também se precisa de adaptações, se utiliza prótese ou muletas e as dificuldades decorrentes do encurtamento.

Fonte: Capitulo 5 - livro Como Vencer os Desafios da Contratação de Pessoas com deficiência. Livro da i.Social
SCHWARZ, Andrea & HABER, Jaques. Cotas: como vencer os desafios da contratação de pessoas com deficiência. São Paulo : i.Social, 2009. Baixe Gratuitamente no link (http://www.isocial.com.br/livro/versao-pdf.pdf)

Saiba mais sobre laudo médico e CID no Cadastro de Curriculos


quinta-feira, 18 de abril de 2013

VI SEMINÁRIO CIENTÍFICO POLÍTICAS PÚBLICAS, SERVIÇOS E SISTEMA EM SAÚDE AUDITIVA


Neste ano, o VI Seminário Científico “Políticas Públicas, Serviços e Sistemas em Saúde Auditiva” com o objetivo de valorizar e divulgar ações e iniciativas de sucesso adotadas na área da saúde auditiva para o aprimoramento do atendimento às pessoa com deficiência auditiva, inseriu em sua grade científica a atividade “Experiências de êxito: ações ou programas desenvolvidos na área de saúde auditiva em todo o país”.

Convidamos serviços e profissionais para fazerem a inscrição de sua proposta desenvolvida.

http://www.centrinho.usp.br/eventos/info/historico.php?id=32

DIVERSIDADE NA SURDEZ Acessibilidade para todos os surdos.


Há surdos que se comunicam usando a língua  brasileira de sinais, libras, para esses é necessário janela de libras nos audiovisuais e intérpretes para comunicação em geral. Como não fazem parte da minha vivência cotidiana desconheço se têm outras necessidades de comunicação. E lembro que muitos usuários de libras também conhecem a língua portuguesa, então podem  usar legendas e textos escritos.

Há surdos que são oralizados, fazem leitura labial e são alfabetizados em português: necessitam legendas escritas.

Para as legendas existem as closed caption (legendas ocultas) usadas na televisão, que podem ser acionadas ou não, as open caption, usadas em cinema e teatro, e  o acompanhamento de aulas, palestras, sessões de tribunais, etc com legendas feitas por ESTENOTIPIA por profissionais especializados e que podem posteriormente ser impressas.

Em todos os locais públicos necessitamos informações escritas e alarmes luminosos. Tudo que for dito por alto falantes deve aparecer também escrito em telões.

Entre os surdos oralizados  um grande número pode ouvir usando próteses, como aparelhos auditivos e vários tipos de implantes. 
Faço parte deste último grupo. 

Existem equipamentos de sonorização especial que enviam som diretamente para aparelhos auditivos e implantes, e assim podemos ouvir teatro, cinema, música, palestras, aulas...diretamente nas próteses, eliminando ecos, ruído ambiente, etc...

O FM é um equipamento individual e requer um microfone próximo à fonte sonora e um receptor acoplado à protese auditiva da pessoa surda.  
O Amplificador de Indução Magnética, aro magnético * (hearing loop) transmite o som  para o ambiente. sendo captado pelo aparelho auditivo ou implante, sendo por isso  de uso coletivo. Nenhum deles interfere no som ambiente e não prejudica a audição das pessoas não surdas. 
* veja o que é Aro Magnético:
https://www.youtube.com/watch?v=T3KDHK8exYY







Nos ambientes de trabalho a comunicação escrita é fundamental. E-mails,  SMS e recursos semelhantes agilizam a comunicação. Existem também telefones com amplificação que alguns surdos podem utilizar com eficiência. No mercado existem ainda telefones com teclado cuja utilização é complicada por necessitar o mesmo tipo de equipamento nas duas pontas da comunicação, é caro e ineficiente, por isso seu uso é quase insignificante. Podemos ver alguns desses modelos em terminais de Metrô de São Paulo, mas sinceramente nunca usei nem vi ninguém usando. A comunicação via SMS e e-mail é mais ágil e precisa ser implantada no atendimento a clientes, na marcação de consultas, atendimento bancário, serviços de urgência, etc.


Levando em conta essas informações peço aos profissionais que trabalham com, escrevem sobre e militam pela inclusão de pessoas com deficiência que ao falar sobre surdos não falem somente de um segmento, os usuários de libras. 
Existe uma enorme diversidade na surdez  assim como soluções específicas para a acessibilidade de cada grupo. 
Dados do Censo do IBGE - 2010


DEFICIÊNCIA AUDITIVA
BRASIL  ....................................................TOTAL 9.722.163


NÃO CONSEGUE (OUVIR) DE MODO ALGUM ......347.481
GRANDE DIFICULDADE (PARA OUVIR) .............1.799.885 

ALGUMA DIFICULDADE (PARA OUVIR) ..............7.574.797


OS NÚMEROS OFICIAIS ACIMA INDICADOS NADA

DIZEM SOBRE QUEM É ORALIZADO, USA PRÓTESES 
AUDITIVAS, IMPLANTES, LEITURA LABIAL OU LÍNGUA DE SINAIS. 
MAS PODEMOS SUPOR QUE TANTO OS QUE APRESENTAM GRANDE DIFICULDADE OU ALGUMA DIFICULDADE PARA OUVIR PODEM SE BENEFICIAR DE AJUDAS TÉCNICAS QUE LHES PERMITAM OUVIR E APRENDER A FALAR, APRENDER A LÍNGUA PORTUGUESA, ETC. 


Sô Ramires para o blog Sulp e Comunidade dos Surdos Oralizados. Abril/2013



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terça-feira, 16 de abril de 2013

PROFISSIONAIS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

SOU LEITORA DO BLOG DA PAULA "CRÔNICAS DA SURDEZ" E SEMPRE ENCONTRO MATÉRIAS INTERESSANTES PARA COMPARTILHAR.
A PARTIR DESTA POSTAGEM RESOLVI ARQUIVAR NO BLOG SULP MATÉRIAS QUE FALEM DE PROFISSIONAIS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA, PESSOAS QUE PUDERAM ESTUDAR, TER UMA FORMAÇÃO PROFISSIONAL E EXERCÊ-LA. PROCURO EVITAR A PALAVRA SUPERAÇÃO PORQUE ADQUIRIU UMA AURA PIEGAS, DE HISTÓRIAS DRAMÁTICAS E DEFICIENTES HERÓICOS. NADA DISSO VAMOS TRATAR DE PESSOAS, GENTE COMO A GENTE QUE VÃO TOCANDO SUA VIDA, ENCONTRANDO SOLUÇÕES PARA SUAS DIFICULDADES.
VAMOS À PRIMEIRA HISTÓRIA...SE QUISER CONTAR A SUA MANDE PARA MEU E-MAIL, mas lembro que só tratamos de deficiência auditiva e de surdos ORALIZADOS,  usuários da língua portuguesa  sramiresdealmeida@yahoo.com.br

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"“Eu nunca imaginei que um dia eu estaria aqui, assumindo para o mundo a minha deficiência. Mas a vida é mesmo muito engraçada e, pesquisando na Internet, acabei encontrando o blog da Paula, que me deu forças para encarar a verdade.
Bem, sou Amanda Verena Carvalho Batista, 23 anos, sou de Teresina – Piauí, Psicóloga, estou concluindo uma especialização na área e, paralelamente, também faço faculdade de Direito. Tenho deficiência auditiva bilateral moderada a profunda, sou oralizada, ninja em leitura labial, nunca me interessei por Libras e, acreditem, faço uso de aparelhos auditivos há apenas um mês.
A Paula me pediu para contar como é ser Psicóloga e deficiente auditiva, então vou começar a falar um pouquinho como vim parar onde estou agora. Minha mãe me contou que, quanto eu tinha uns 3 ou 4 anos, tive uma infecção muito grave nos ouvidos e fiz uso prolongado de antibióticos. Por conta dessa doença, acabei perdendo um pouco a audição e minha família sabia disso, mas nunca me levaram para fazer algum tratamento ou algo do tipo. Nunca pensaram na possibilidade ou necessidade do uso de aparelhos e, assim, cresci sem ouvir muito bem. Eu apenas fazia a audiometria de vez em quando para acompanhar a evolução do quadro.
O engraçado é que, mesmo sem ouvir direito, sempre fui a melhor aluna da sala, as melhores notas sempre eram as minhas e nunca repeti ano. Por outro lado, sempre sofri MUITO preconceito por não escutar direito e não foram poucas as vezes que chorei no banheiro da escola por causa das grosserias dos colegas. Até mesmo os professores e coordenadores  não sabiam como agir quando as pessoas eram agressivas comigo, e olha que eu estudei a vida inteira lá e era uma das melhores escolas da cidade (caríssima, diga-se de passagem, e sem estrutura para lidar com deficientes auditivos!!!)...QUE LER MAIS? VÁ ATÉ O BLOG DA PAULA NO LINK ABAIXO.
http://cronicasdasurdez.com/uma-psicologa-com-deficiencia-auditiva/#comment-41906

Um Professor surdo mas antes de tudo um Professor

O Drauzio é participante da comissão que elaborou o Manifesto Sulp, um bom amigo, um cidadão e professor universitário. 
Às vezes é convidado para falar do SULP e de sua experiência pessoal e profissional. 

O texto que segue é parte da resposta a uma questão originada numa entrevista.
Mas creio que o texto é muito esclarecedor não somente do ponto de vista do Drauzio como do Sulp.


"Sou professor universitário. Ministro aulas na Universidade. Trabalho como qualquer outro professor. 
Entrei na Universidade por concurso público disputando com ouvintes. 
Não permito que minha deficiência auditiva atrapalhe meu trabalho, que executo normalmente como faz qualquer ouvinte. 
Não converso com os alunos sobre a deficiência porque não vejo motivo, afinal, estou lá como professor, não como surdo. 
Abordo a questão apenas quando me perguntam, o que não é comum. No entanto, eu os instruo a me chamar quando estou de frente para eles e a erguer a mão quando querem fazer perguntas. 
Enfim, busco não dar a surdez uma importância maior do que ela deve ter.

Na verdade, eu não estudo o assunto surdez até porque a minha formação é Economia e não Medicina. 

Meu trabalho, bem como o do grupo SULP (Surdos Usuários da Língua Portuguesa) é conscientizar os surdos sobre os seus direitos, sobre as tecnologias que podem ajudá-los e conscientizar a população ouvinte e as autoridades sobre as necessidades dos surdos. 
É um trabalho de popularização e conscientização das necessidades dos surdos usuários da língua portuguesa (oralizados).

Trabalho nesse assunto porque eu também sou surdo e por uma questão de cidadania. 

Tenho surdez severa em um ouvido e profunda em outro. Curiosamente, antes de eu perder a audição em um dos ouvidos, eu seria considerado surdo unilateral, já que ouvia perfeitamente com apenas um dos lados. Porém, perdi a audição ainda jovem e quando entrei no mercado de trabalho, já estava surdo e usando aparelhos auditivos. Então, não vivenciei a surdez unilateral no mercado de trabalho. 
Atuo na questão da surdez, conforme as possibilidades, para contribuir na luta pela melhoria da acessibilidade aos surdos na sociedade e também, tanto quanto possível, para ajudar a combater o preconceito que existe, tanto veladamente quanto explicitamente." 


Audiologistas que usam próteses auditivas

http://desafiodaalma.blogspot.com/2008/07/quando-experincia-faz-diferena.html
Veja uma reportagem muito interessante sobre profissionais que trabalham adaptando próteses auditivas e que também usam esse tipo de próteses.

Como no mundo da Net muita coisa interessante desaparece copiei a matéria e deixo o link acima com os créditos do autor do blog.

QUANDO A EXPERIÊNCIA FAZ A DIFERENÇA


Polliana faz parte de um raro grupo de audiologistas que é usuário de AASI


Existe, no Brasil, um seleto grupo de audiologistas que, por serem usuários de aparelhos auditivos, acabam tendo uma maior aproximação com os pacientes durante a prática terapêutica. A experiência pessoal com o AASI, de fato, revela tantas nuances do processo de adaptação auditiva que pode estar se tornando uma tendência entre os outros profissionais.
“Ser usuária de AASI”, diz a fonoaudióloga Polliana Capellini Saccon, “tem enorme influência na terapia e no entendimento com o paciente. Ele vê que eu estou bem, falo normalmente, sou ‘bem resolvida’, é possível acertar na adaptação, é possível o uso ser ‘confortável’...”. Pós-graduanda em audiologia clínica pelo Hospital AC Camargo e atualmente atendendo em clínicas de Laranjal e Tietê, no interior paulista, Polliana faz parte de um raro grupo de profissionais da área da reabilitação e mesmo da audiologia. Por ser uma das poucas fonoaudiólogas do país com perda auditiva bilateral e usuária da própria prótese que recomenda na prática clínica, ela tem mais facilidade para se pôr no lugar – e assim compreender melhor – os seus pacientes.



A audiologista Samira Camargo Baus:
"Usar aparelhos auditivos influencia de maneira positiva no processo de adaptação"


“Influência positiva”

Samira Camargo Baus, do Hermany Audiologic Instruments, de Florianópolis, também faz parte deste grupo. Usuária de aparelhos auditivos desde 2002, ela tem plena consciência de como o fato de ser adaptada otimizou sua prática terapêutica. “Isto influencia de maneira positiva no processo de adaptação com meus pacientes. O fato de eu ser uma jovem-adulta, usar aparelhos há anos e ter uma excelente adaptação e aceitação dos mesmos contribui para quebrar o estigma e preconceito de que próteses são para pessoas idosas e que é muito difícil de se adaptar aos aparelhos auditivos...” Ela dá um exemplo: “Um jovem tinha dificuldades em aceitar a perda auditiva e o uso dos aparelhos. Quando ele me conheceu, e soube que eu usava aparelhos auditivos, sentiu-se seguro para fazer perguntas (...). Hoje, além de ter tido sucesso na adaptação bilateral, este rapaz se apresenta como uma pessoa mais segura e confiante.” Ela garante que a sua experiência foi bastante válida não só para sua formação, como a de suas próprias colegas de classe. “ No período acadêmico, fui convidada a dar depoimentos para colegas de graduação. A relação da teoria com a prática foi muito proveitosa”. Apesar de ter consciência do seu diferencial, ela está sempre se aprimorando. E dá um recado a outros profissionais: “No caso do fonoaudiólogo atuar com aparelhos auditivos, minha recomendação é atualizar-se técnico-cientificamente. Isto é o que tenho procurado fazer, pois as mudanças tecnológicas nessa área são muito rápidas.”
De fato, um universo em constante mutação – e não só da tecnologia. Seja pelo imperativo de conhecer melhor o produto, seja pela necessidade prática de vivenciar a experiência de seus pacientes, alguns audiologistas, não satisfeitos em apenas ´escutar´ o acessório, estão tentando novas abordagens com o aparelho auditivo, a fim de ter uma experiência mais real e próxima da de uma pessoa adaptada.
A experiência de usar a prótese mudou a abordagem profissional de Larissa

Testar o acessório em si mesma

Larissa Coutinho Fonseca, da clínica Limiar, de Porto Velho, é um deles. Por ter um irmão mais novo usuário de aparelho auditivo, ela acabou se habituando desde cedo com o universo da fonoaudiologia, e foi assim que se apaixonou pela área e decidiu seguir a profissão. Apesar de toda sua prática – tanto pessoal como profissional – e mesmo não tendo perda auditiva, ela resolveu dar um passo além: testar o acessório em si mesma. “Não gosto de usar o termo ‘deficiência auditiva’ e também não concordo quando a Fonoaudiologia tenta “clinicalizar” a surdez, como algo ruim que precisa ser curado. Conheço pessoas que usam aparelho auditivo que são tão ou mais brilhantes que muitas pessoas aparentemente sem nenhum problema. Foi por isso que me interessei imediatamente pelo livro Manual Bem-Humorado dos Privilegiados Auditivos. Ouvir a história do ponto de vista de alguém que sente na pele diariamente o que nós podemos apenas imaginar ou estudar em livros... Foi por causa dessa obra que um dia resolvi usar o aparelho um dia inteiro, desligado, para ver como era”. A experiência a marcou para sempre: “Ao usá-lo em mim mesma, percebi que pode ser uma experiência bastante incômoda! As pessoas ficam olhando, temerosas em dirigir a palavra a alguém que usa aparelho (...). Foi uma experiência única, porque cheguei ao fim do dia louca pra tirar ‘aquilo’ da orelha!” Ela aprendeu a ser mais flexível com seus pequenos pacientes: “Antes eu sempre obrigava minhas crianças a usarem o aparelho o tempo todo e não tirá-los de jeito nenhum... Resultado: elas arrancavam os aparelhos no primeiro deslize da mãe! Hoje, já não exijo que elas o usem o dia todo”.

Compreender melhor seus pacientes

Se as pessoas atendidas por este seleto grupo de fonoaudiólogas acabam tendo uma percepção mais realista do aparelho auditivo e encarando, dessa forma, de maneira mais positiva o processo de adaptação, talvez se possa tirar algumas lições desta experiência. Os profissionais que a conhecem, com efeito, acabaram compreendendo melhor seus pacientes, não só por experimentarem a amplificação sonora, mas também o desconforto associado à prótese e – igualmente importante – a inevitável sensação de estranheza causada pelo preconceito. Em outras palavras, adentraram de fato no muitas vezes intangível universo da pessoa com déficit auditivo.
Para a fonoaudióloga Sandra Braga, da Audibel, isso está se tornando uma tendência entre os profissionais, até porque “algumas queixas dos pacientes são relativas à qualidade do som e para tanto temos que avaliar o som escutando o aparelho”. Camila Quintino, da Starkey, concorda: “Eu trabalho muito com treinamento (...) e sempre recomendo escutar os aparelhos. Enfatizo sempre que, somente quando escutamos os aparelhos, entendemos realmente o que está acontecendo ou mudando, conforme alteramos os controles. Acredito que essa é a melhor forma de relacionar a teoria com a prática, ou seja, entender realmente as mudanças e funcionamento do circuito do aparelho auditivo. Na minha opinião isso se tornou mais claro desde que comecei a atuar com aparelhos auditivos, eu aprendi e aprendo melhor desta forma. Muitas ‘fonos’ do meu convívio fazem isso também.”

“É fácil falar, difícil é agir !”

De fato, nada como a própria experiência. Mas, ao que tudo indica, levará algum tempo para que os profissionais não-adaptados a vejam com mais naturalidade. Embora alguns temam, não sem razão, o risco de trauma causado pela amplificação sonora numa audição normal, a experiência de usar o aparelho auditivo merece ser conhecida, e é possível que venha a surpreender muitos audiologistas, fazendo-os pensar duas vezes antes de mandar uma criança em processo de adaptação usar a prótese o dia inteiro... Afinal, a teoria é uma coisa e a prática, outra. Como disse Polliana: É fácil falar, difícil é agir !”
Realmente. Como qualquer nova abordagem, esta também tem encontrado certa resistência, e a experiência de usar a prótese auditiva permanece desconhecida para muitos fonoaudiólogos. Seja como for, não resta dúvida de que os poucos que tiveram um contato mais a fundo com o aparelhinho auditivo tiraram preciosas lições da experiência. Como lembra Polliana: “Certa vez, uma criança viu que eu estava com o AASI e, por ela estar com uma otite, perguntou o que era aquilo nos meus ouvidos. Ela parecia confusa, mas quando eu respondi que era para ouvir melhor, ela imediatamente abriu um sorriso e pediu um igual pro pai... aquele momento foi realmente gratificante – inesquecível”.
Artigo publicado na revista Audio-Infos #10.
MAIS UM PROFISSIONAL SURDO
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/10/1354994-empresario-surdo-vence-timidez-e-disputa-premio-nos-eua.shtml

domingo, 14 de abril de 2013

SEMINÁRIO SOBRE CULTURA E ACESSIBILIDADE 23 E 24 DE ABRIL


Seminário sobre Cultura e Acessibilidade


Assisti às palestras sobre LEGENDAGEM E ESTENOTIPIA. NOVIDADES? QUASE NENHUMA.

O serviço de ESTENOTIPIA continua sendo oferecido por poucas empresas privadas que atuam também no serviço público sob contrato. 
O serviço é caro, porque os equipamentos (teclados e programas) são importados e caros, porque o treinamento de um profissional leva por volta de 4 anos ou mais, porque temos poucos profissionais no mercado. 
Ouço esses argumentos há alguns anos e me pergunto se ter poucos e caros profissionais não seria também uma estratégia de mercado? A raridade aumenta o preço e mantém um mercado cativo. 

Mas não vejo esforço do poder público para melhorar essa situação. Não seria caso de fazer investimentos para a formação desses profissionais assim como vemos vários cursos de formação de intérpretes e profissionais ligados a língua de sinais?

Afinal tanto a estenotipia de eventos, cursos assim como a legendagem de TV e cinema têm como resultado final um texto escrito, acessível a surdos, idosos que perderam parte da audição, e a todos os interessados. 

O trabalho do profissional de estenotipia é muito especializado, deve conhecer a máquina, os programas, ter um grande conhecimento da língua portuguesa, um vocabulário extenso.

Muitas vezes o que é feito por programas de reconhecimento de voz que vemos nas legendas ocultas de TV,  com erros grosseiros e resultado até cômico, não pode ser atribuído ao profissional de estenotipia.  

De toda maneira é importante termos profissionais de ótima qualidade como pudemos ver no seminário: enquanto palestrantes (e público) falavam em São Paulo, o som era transmitido a um posto da empresa Steno em Brasília. Lá um estenotipista recebia o som por fone de ouvido e quase que imediatamente tínhamos no telão da sala a transcrição das falas, praticamente sem erros ou omissões. 

Tivemos também a exibição dos teclados, a explicação de todo o processo, de como é o aprendizado e treinamento de um profissional. 
Pena mesmo que não tenhamos essa tecnologia mais barata e disponível em universidades e outros eventos culturais. 



Seminário mostra como tornar espetáculos culturais acessíveis a pessoas com todo tipo de deficiência

Agradecemos à amiga Lara Gomes da Comunidade dos Surdos Oralizados do Facebook ter enviado essa importante informação
A Secretaria da Cultura e a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo realizam nos dias 23 e 24 de abril o I Seminário sobre Cultura e Acessibilidade, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Voltado a produtores e gestores culturais, o encontro irá demonstrar técnicas e debater formas de estimular a adoção de recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência.
No evento, o público aprenderá que um espetáculo cultural acessível ao público com deficiência não se limita a instalar rampas e reservar lugares especiais na plateia. Há uma série de técnicas e recursos tecnológicos capazes de garantir que pessoas cegas ou surdas tenham pleno acesso ao conteúdo de peças teatrais, balé, óperas, exposições e shows musicais.
O objetivo do seminário é apresentar o acesso à cultura como direito fundamental de todo cidadão, demonstrando como gerar espaços culturais públicos e privados bem equipados e devidamente preparados para recepcionar esse público.
O evento terá mesas-redondas abordando temas como Acessibilidade Comunicacional, suas características, recursos e tecnologias; Acessibilidade Física nos espaços culturais; cases de sucesso; e também o conceito de “arte inclusiva”.
Oficinas e linhas de fomento
No período da tarde, haverá oficinas mostrando como tornar acessível um produto cultural, através de recursos como legendagem, libras, audiodescrição, estenotipia, entre outros.
No dia 24, os secretários Marcelo Mattos Araújo (Cultura) e Linamara Rizzo Battistella (Pessoa com Deficiência) anunciam uma parceria entre as duas secretarias por meio de programas de fomento para estimular a adoção de recursos de acessibilidade em produtos culturais no Estado de São Paulo.
O seminário será realizado na Oficina Cultural Oswald de Andrade, das 9h às 18h30.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail generos.etnias@sp.gov.br ou pelo telefone (11) 2627-8024, informando nome do participante, e-mail para contato e indicando a oficina de que deseja participar.
PROGRAMAÇÃO
23 Abril
9h – 10h30
Mesa I – Apresentação Demográfica: Perfil das Pessoas com Deficiência no Estado de São Paulo
Cássio Rodrigo de Oliveira Silva – Secretaria de Estado da Cultura
Luiz Carlos Lopes – Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Camila Benvenuto – Instituto Mara Gabrilli
Rimar Segala – Mais Diferenças
Coffee break: 15 minutos

11h – 12h30
Mesa II – Acessibilidade Comunicacional
Amanda Tojal –  “Programa Educativo para Públicos Especiais” da Pinacoteca do Estado de São Paulo
Adriana Ferrari - Biblioteca São Paulo
Paulo Romeu – Blog da Audiodescrição
Almoço: 12h30 – 14h

Oficinas:
14h – 16h
Sala I:  Audiodescrição – Por Livia Motta
Sala II: Libras – Por Fernanda Wendy – Coordenadora do Instituto Educalibras
Sala III: Estenotipia – Wagner Medici
Coffee break: 15 minutos

16h30 – 18h30
Sala I:  Legendagem – Wagner Medici
Sala II:  Acessibilidade arquitetônica  Silvana Cambiaghi, Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) da Prefeitura de São Paulo
Sala III:  Recepção Por Museu do Futebol – Ialê Cardoso

24 de Abril 
09h – 10h15
Mesa I – Arte Inclusiva: existe?
Fernanda Bianchini – Ballet
Deto Montenegro – diretor dos grupos de teatro Menestréis e Up 
Glauco Matoso – poeta e escritor
Gonçalo Borges – pintor com os pés e a boca 
Ana Lúcia - Representante do Surdodum
Coffee break: 15 minutos

10h30 – 12h
Mesa II – O papel das novas tecnologias na democratização do acesso cultural e formação de público
Como os espaços se tornaram acessíveis? Estatísticas ou noções de volume de público. Cases de sucesso.  Recursos e tecnologias.
Sugestão de nomes:
Cássia Navas – Plataforma de Dança e acessibilidade;
Lara  Pozzobon – Festival Assim Vivemos ou representante do Cinesesc
Walter Siqueira – Centro Cultural São Paulo
SESC/SP

12h – 13h
Lançamento Programa Estadual de Acessibilidade em Espetáculos Culturais
Marcelo Araujo – secretário de Estado da Cultura
Linamara Rizzo Battistella – secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Com apresentação artística – Ballet Fernanda Bianchini

Almoço: 13h – 14h

Oficinas:
14h30 – 16h
Sala I: Audiodescrição Por Livia Motta
Sala II: Libras – Por Fernanda Wendy – Coordenadora do Instituto Educalibras
Sala III: Estenotipia – Por Wagner Medici

Coffee break: 15 minutos

16h30 – 18h30
Sala I: Legendagem – indicação Wagner Medici – Steno Brasil
Sala II: Acessibilidade arquitetônica Por Silvana Cambiaghi, Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) da Prefeitura de São Paulo

Chamar Polícia e Bombeiros via SMS em São Paulo

Veja informações no vídeo abaixo.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=rxLBkSS5v2g#!


UMA OPÇÃO MUITO ÚTIL. SEM DÚVIDA. 

Mas precisamos escrever para a Polícia Militar de São Paulo, esclarecendo que os 

surdos oralizados e pessoas que usam próteses auditivas na sua maioria não são 

associados a entidades ou escolas de surdos. Somos pessoas independentes e 

temos que nos cadastrar diretamente, sem intermediários. Eu já escrevi, não deixe de 

escrever também,  todos os deficientes auditivos precisam desse atendimento via 

sms não apenas alunos de escolas e entidades de surdos. Veja a página para falar 

com a PM de São Paulo.

http://www2.policiamilitar.sp.gov.br/faleconosco/faleconosco.aspx


Mandei este comentário a vários grupos de acessibilidade e à Deputada Mara Gabrilli que tomou providências:


De: so [mailto:soramires@yahoo.com]
Enviada em: sábado, 27 de abril de 2013 12:38
Para: Mara Gabrilli - Dep. Federal
Assunto: Re: RES: Atendimento da Polícia e Bombeiros de SP via SMS para surdos

Mara querida você sempre tão atenta. Precisamos que a Segurança Pública de São Paulo permita a inscrição para pedidos de atendimento de Polícia e Bombeiros via SMS de pessoas surdas em geral e não somente pessoas surdas inscritas em escolas e associações com está sendo divulgado. Abraços

Vejam a resposta da Deputada Mara Gabrilli:



So, tudo bem?
Vou oficiar o comando da polícia militar e a secretaria de segurança pública.
Um beijo,
Mara


segunda-feira, 8 de abril de 2013

DEFICIENTES AUDITIVOS NÃO SÃO ISENTOS DO PAGAMENTO DE IPI NA COMPRA DE AUTOMÓVEIS


Algumas pessoas surdas nos perguntam porque não informamos sobre isenção do IPI para compra de automóvel. Minha posição pessoal coincide com a notícia que reproduzimos abaixo, que essa isenção é para pessoas com problemas de locomoção, o que não é o caso de pessoas com deficiência auditiva.


http://www.conjur.com.br/2013-abr-08/deficientes-auditivos-nao-podem-isencao-ipi-compra-automovel

Deficientes auditivos não são isentos do pagamento de IPI

A isenção do IPI na compra de automóveis para portadores de deficiência não pode ser
estendida aos deficientes auditivos, uma vez que a regra isentiva deve ser literalmente
interpretada. Assim decidiu a 26ª Vara Federal Cível de São Paulo ao julgar uma Ação
Civil Pública que buscava garantir a isenção do IPI na aquisição de veículo 0km para
pessoas surdas.
A isenção do IPI é disciplinada na Lei 8.989/1995, que dispõe sobre o benefício na
aquisição de automóveis para transporte "por pessoas portadoras de deficiência física,
visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu
representante legal". Para o Ministério Público Federal, a exclusão somente de um tipo
de deficiência do benefício fiscal é “equivocada e discriminatória”. Na ação, o MPF
afirma ainda que tal negação viola normas constitucionais e legais que garantem a inclusão
 social da pessoa com deficiência e, em consequência, viola os princípios da isonomia e
da dignidade humana. 
“O argumento de que a isenção deve ser interpretada literalmente, por força do
artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional, não pode servir de justificativa
para afrontar a Constituição Federal, norma hierarquicamente superior”, alegou o MPF. 
A União, por meio da Divisão de Acompanhamento Especial da Procuradoria da
Fazenda Nacional, se defendeu afirmando que os portadores de deficiência auditiva não
estão em condição equivalente à dos portadores de deficiências físicas, visual, mental
ou autismo, “uma vez que não têm a locomoção afetada.” Além disso, a União alegou
que a interpretação da lei deve ser literal, já que se trata de benefício fiscal, “não podendo
 ser ampliado o gozo do benefício por pessoas não autorizadas". Afirmou ainda que a
deficiência é o gênero e que a deficiência física e a auditiva são espécies distintas.
O juiz decidiu não ser possível estender a isenção do IPI aos deficientes auditivos, uma
vez que a regra isentiva deve ser literalmente interpretada e a que foi colocada em
discussão
 não faz menção a tal deficiência. Afirmou ainda que a Administração está completamente
vinculada à lei, só podendo fazer o que a lei determina. “Trata-se do princípio da legalidade.”
Na decisão, o juiz citou doutrina do administrativista Celso Antonio Bandeira de Mello,
com o seguinte entendimento: "O princípio da legalidade é o da completa submissão da
Administração às leis. Esta deve tão-somente obedecê-las, cumpri-las, pô-las em prática.
 Daí que a atividade de todos os seus agentes, desde o que lhe ocupa a cúspide, isto é, o
Presidente da República, até o mais modesto dos servidores, só pode ser a de dóceis,
reverentes, obsequiosos cumpridores das disposições gerais fixadas pelo Poder Legislativo,
pois esta é a posição que lhes compete no Direito brasileiro".
A ação foi julgada improcedente e extinta com resolução do mérito. 
Clique aqui para ler a decisão. 
Processo 0003667-90.2009.4.03.6100